domingo, 5 de junho de 2011

Segunda postagem e mais um causo!





Olá a todos!! 
Primeiramente posso afirmar que estou querendo pegar gosto por esse tal de blog. Percebi que várias pessoas leram o que escrevi (coloquei o gadget de ver quantos já visitaram o blog) então hoje resolvi digitar mais algumas palavras. Nada além do esperado.
Interessante é observar as pessoas e as suas maneiras de conduzir a vida. A maior parte vive de uma maneira automática, realizando diariamente as mesmas tarefas, iludidas pelo poder que a rotina tem em ludibriar o interesse. Interesse esse, que traz conhecimento. 
Eu queria, antes de mais nada, saber como funciona o fenômeno do som e qual a sua relação com o nosso ouvido, como eu consigo distinguir um som grave de um agudo e o melhor, como eu consigo fechar os olhos e ter um perfeito campo de visão sonora, onde eu posso perceber distâncias e localizações. Como já havia afirmado, sou viciado em áudio e queria saber tudo que pudesse sobre ele. O corpo humano funciona através de uma série de relações com o meio em que vivemos e a nossa forma de contato com esse meio são os nossos sentidos (Visão, Audição, Paladar, Tato e Olfato). Foram estes sentidos que garantiram nossa sobrevivência ao longo dos anos e a audição foi um dos elementos fundamentais para isto. 
Imaginem um general impetuoso com seus 10 mil bravos soldados surdos, em posição para atacar a cidade vizinha e para dar a ordem de atacar o general solta a sua espada banhada a ouro, tira a sua luva de couro legítimo para que os bravos guerreiros enxerguem melhor, e com a linguagem dos sinais ele dá a ordem de ataque. Os 50 da primeira fila iriam atacar conforme o general ordenou, o resto vai só no embalo. Provavelmente seria um desastre. Provavelmente um mundo sem som não teria a mesma história. Talvez o Brasil ainda fosse colonizado por índios. Talvez o mundo não teria derrotado os nazistas. Talvez nem existisse o nazismo… ou ainda pior… quem iria ouvir o grito do General Antônio de Sousa Neto proclamando a independência do Rio Grande do Sul após a Batalha do Seival?? Quem iria ouvir o saudoso Hino do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense?? 
O lado bom disso seria que eu nunca iria ter que ligar o rádio e ouvir Justin Bieber (nada contra quem gosta). 
Mas voltando ao som… eu me perguntava, como ele sai da boca de uma pessoa, chega até o meu ouvido e eu acabo entendendo a mensagem? O som, na verdade, é um distúrbio fisiológico com elasticidade e inércia (sabem o que é inércia?? é a habilidade de começar e parar o movimento), ou seja, tudo que tem a capacidade de se mexer, mesmo que seja 0,000000001mm, também terá capacidade de transmitir ondas sonoras. Ondas sonoras?? Mas como assim ondas?? sim, ondas!! O som se move em ondas. Certamente todos que estão lendo isto, em alguma época da vida, já devem ter atirado alguma pedra em um lago ou em um açude. Quando a pedra bate na água, se formam ondas em volta do impacto, uma atras da outra. Com o som funciona de forma similar. Quando eu falo, ondas sonoras saem da minha boca (através das cordas vocais) em forma circular, irradiando pelo ambiente ao meu redor a uma velocidade aproximada de 344 m/s (metros por segundo), isto é, a cada segundo o som "anda" 344 metros (a velocidade do som depende da temperatura ambiente, mas isto já é outra história), ele é rápido né?? Faz 1 km em menos de 3 segundos e é por isso que quando você está conversando com outras pessoas, o som parece vir ao mesmo tempo em que a pessoa abre a boca, certo?? ERRADO!! Se o som tem velocidade, dependendo da distância entre você e a pessoa com quem está falando, ele irá ter um pequeno ou grande atraso até chegar aos seus ouvidos. Se a distância for de 1 metro entre vocês, o som levará 0,002 segundos ou 2 milisegundos (m/s) para chegar ao seu ouvido. Um atraso que o ouvido não consegue perceber, mas ele existe. Em uma distância de 10 metros, o som levará 29 m/s e em 100 metros, 0,29 segundos. 
Com atrasos de até 10 m/s o ouvido não percebe a diferença, de 10 m/s até 20 m/s o ouvido percebe um fenômeno que chamamos de Efeito Haas ou Efeito da Precedência (essa também é uma outra história). 

Hum… acho que já escrevi o suficiente por hoje e se eu seguir escrevendo sobre esse assunto não vou conseguir terminar, seguirei o assunto no próximo post. 
Mas isso tudo me lembrou um causo que aconteceu entre um grande amigo e competente técnico de gravação e um renomado músico.

A cidade de onde venho é palco para diversos eventos culturais, principalmente musicais. Dentre todos os músicos que se apresentam nesses eventos, existem aqueles que são figurinhas carimbadas, que percorrem o estado e arredores tocando quase exclusivamente nesses eventos, e que por isso, são conhecidos e admirados por muitos. Certa feita uma figurinha dessas foi gravar um violão no estúdio desse meu amigo, até aí ta tudo certo. Ele gravou o violão base perfeitamente, pois era conhecido por sua precisão perante ao metrônomo. Só que o homem não era dos melhores quando ia solar e naquela ocasião ele tinha um solo complicado e rápido para executar. Foi uma tentativa e nada, duas tentativas e nada, três tentativas e nada… quando estava perto da décima quinta tentativa ele estava ficando nervoso e impaciente (pois tinha um nome a zelar), então ele diz: "Tem alguma coisa errada aí!! Teu metrônomo tá ruim", e o técnico repondeu: "Não tem com estar errado, é o metrônomo do Pro Tools… sempre funcionou na boa" (Pro Tools é um programa de gravação e que na minha opinião, é o melhor que existe). Ele respondeu: "'É?? Então solta de novo que to sentindo que agora vai dar certo"… Uma tentativa e nada… duas tentativas e nada… três e nada… quando chegou na décima ele se irritou e falou: "Assim não ta dando, arruma o teu metrônomo que eu venho gravar outro dia". O técnico, que por sua vez, também era músico e por sinal, violonista dos bons, falou para o músico: "deixa eu ver aí… me empresta o violão… quando eu fizer um sinal, você aperta o botão "3" (um dos botões que solta para gravar)". Ele sentou na cadeira, colocou os fones, deu o sinal e gravou perfeitamente. Quando terminou ficou aquele clima estranho e ele disse: "Cara… deu pra gravar perfeitamente", o músico olhou pra ele, pensou… pensou… e para não perder a compostura disse: "Olha amigo… não sei como é possível… mas quando eu sento ali e coloco os fones, o teu metrônomo se DESQUANTIZA…". 
Eu ria muito quando ele me contou… e só para tirar alguma possível dúvida, quantizar é colocar algo no tempo correto… agora… desquantizar… deve ser tirar algo do tempo certo.

Bom… acho q vou ficar por aqui mesmo, valeu a todos que desperdiçaram alguns minutos de suas preciosas vidas para ler essas minhas palavras. Em breve escreverei a continuidade do assunto sobre o som e mais alguns causos…
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Até breve!

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